Texto escrito por Pedro Gonçalves, retirado de
http://gaia.org.pt/node/14663No Sábado, 29 de Novembro, Dia Internacional Sem Compras, o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção foi para as ruas assinalar este dia com a pretensão de contribuir para uma reflexão sobre os hábitos de consumo e apontar a(s) injustiça(s) do sistema capitalista. Pretende-se recriar novas ideias e novas formas de vida, respeitando a terra e a natureza, e reduzindo o consumo ao essencial.
Realizou-se também na Casa da Horta uma feira de trocas, na qual GAIA participou, na sede do GAIA, feira organizada pela Associação Cultural Casa da Horta e que se realizou no seu interior devido à enorme chuvada que se fez sentir neste dia. Mesmo assim cerca de 2 dezenas pessoas compareceram para trocar e trocou-se alguns produtos, assim como se apontou serviços num quadro para possíveis trocas no futuro. Este quadro vai estar sempre na Casa da Horta e pode ser actualizado e utilizado por tod@s.
Texto escrito por João Aguiar, retirado de
http://gaia.org.pt/node/2725 Dia Sem Compras comemorado com Loja Grátis na baixa lisboeta
No passado Domingo, 24 de Novembro de 2007, a Reutilização do Velho saiu à rua com o intuito de afligir a Compra do Novo. O mote foi o Dia sem Compras, e o objectivo apresentar a Reutilização como uma alternativa lógica, sensata e ecológica, ao consumo excessivo de produtos novos nas superfícies comerciais. A Loja Grátis, composta por dois carrinhos de compras, um porta-cabides com rodas, e cerca de quinze persuasivos vendedores, içou a âncora do Grupo Desportivo da Mouraria pelas três da tarde e rolou pela colina abaixo até ao Martim Moniz. Chegada à Praça da Figueira, foi feita a sua primeira venda: um casaco de pele em tom castanho, com aspecto de novo! O negócio foi assinalado publicamente: "Vendido pela módica quantia de Zero Euros e Zero Cêntimos!!!".
As pessoas estranhavam tamanha bondade, e os comerciantes sentindo-se ameaçados, acorriam apressados e nervosos ao telefone para avisar as autoridades de tamanha anormalidade! "Hoje em dia niguém dá nada!", exclamavam também alguns populares, incrédulos na filosofia ecológica, altruísta e filantrópica da Loja Grátis!
Neste clima de espanto e incredulidade popular, entrou a Loja Grátis no coração do comércio português: a Rua Augusta! Anunciaram-se em alto e bom som, o Dia sem Compras e as boas intenções da Loja Grátis. Foram aparecendo novos clientes e foram-se entregando mais objectos: jogos para crianças, livros, sapatos, camisas, material informático, apenas para listar alguns.
Com a receptividade do público testada e comprovada, tentámos atracar no início da Rua Augusta, mas, e já tardavam a chegar, apareceram os Senhores Agentes da Autoridade, montados a "segway", em jeito de patrulhamento policial num filme futurista de ficção científica. Requeriam-nos uma Licença de Ocupação da Via Pública, alegando que é proibido estar parado no meio da Rua (não nos poderemos esqueçar desta regra da próxima vez que pusermos o pé fora de casa).
Os dotes diplomáticos dos Vendedores da Loja Grátis foram postos à prova e com todo o sucesso, pois volvida meia hora de conversações, garantia-se a prossecução da Loja Grátis na Rua Augusta, agora contudo, com um novo formato: uma loja itinerante, constantemente em andamento e impedida de apresentar faixas tipografadas com orientação transversal à via! Era deste modo rebaptizada a "Loja Grátis" como "A Caravana da Loja Grátis em Filinha Pirilau"!
A marcha continou até ao fim da Rua Augusta e volveu até ao seu início, donde rumou até ao Chiado, erguendo-se pela Rua do Carmo e a Rua Almeida Garret acima!
Como balanço final da Loja Grátis, no seu dia do ano de maior negócio: O Dia Sem Compras, foram oferecidos cerca de 100 objectos! São pois 100 possíveis prendas de natal que não saíram das prateleiras dos estabelecimentos comerciais da Baixa lisboeta, que entrarão nas suas estatísticas de vendas, e que muito possivelmente definirão as quantidades de produção das fábricas fornecedoras, para o ano que se segue. Menores quantidades de produção, esperemos nós, habitantes do Planeta Terra, pois ele não nos pode dar deste modo exagerado que a maioria dos ocidentais lhe pede!